
Neruda foi, no século passado, um dos poetas que mais ajudou a difundir a "poesia dos catorze versos". Sua obra "100 sonetos de amor" percorreu o mundo, sendo traduzida em vários idiomas, inclusive o português. Na língua inglesa, chegou a ser citada em um filme de grande bilheteria, Patch Adams, de cujo sítio na Internet extraí as figuras acima... Repare no primeiro terceto, um dos mais bonitos da história dos sonetos... Abaixo, duas traduções da obra prima:
Sonnet XVIII
do not love you as if you were salt-rose, or topaz,or the arrow of carnations the fire shoots off.I love you as certain dark things are to be loved,in secret, between the shadow and the soul.
I love you as the plant that never bloomsbut carries in itself the light of hidden flowers;thanks to your love a certain solid fragrance,risen from the earth, lives darkly in my body.I love you without knowing how, or when, or from where.
I love you straightforwardly, without complexities or pride;so I love you because I know no other waythan this: where I does not exist, nor you,so close that your hand on my chest is my hand,so close that your eyes close as I fall asleep.
Soneto XVII
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázioou flecha de cravos que propagam o fogo:te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e levadentro de si, oculta, a luz daquelas flores,e graças a teu amor vive escuro em meu corpoo apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,te amo diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira,senão assim deste modo em que não sou nem éstão perto que tua mão sobre meu peito é minhatão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Pablo Neruda